Inspirado em relatos reais, o espetáculo reúne histórias de mulheres refugiadas que reconstruíram a vida no Brasil
Devido ao sucesso de público, o Centro Cultural Bibli-ASPAprorroga a temporada do espetáculo “Daqui pra frente” até 24 de maio. As sessões são gratuitas aos sábados, às 20h, e domingos, às 18h.
Com texto e direção de Danielli Guerreiro, a peça reúne sete mulheres de cinco países, Nigéria, Afeganistão, Irã, Venezuela e Congo. Em esquetes inspiradas em situações vividas após a chegada ao Brasil, o espetáculo aborda diferenças culturais, saudade do país de origem e os desafios com o idioma. O elenco é formado por Adanne Udoka, Muzghan Yawari, Fahima Panahi, Atefa Mohammadi, Zaynab Ataollahi, Laura Velasquez e Arlete N’Daya.
A montagem é a segunda produção teatral da Bibli-ASPA, organização sem fins lucrativos que há mais de 20 anos atua na integração de imigrantes e refugiados no Brasil. O espetáculo nasce do curso regular de teatro da instituição, que reúne mulheres atendidas pela entidade e transforma suas próprias vivências de migração em material cênico. Em 2025, a instituição também abordou o tema da migração forçada no espetáculo Refúgio.
Dividida em capítulos, a montagem aborda temas recorrentes no processo de criação, como idioma, identidade e adaptação cultural. A dramaturgia combina relatos reais com situações do cotidiano brasileiro, como conversas em bares, passagens pela imigração em aeroportos e aulas de português.
Embora trate de experiências marcadas por deslocamento e recomeço, o espetáculo aposta no humor como ferramenta narrativa. “Ele nos ajuda a atravessar desafios de forma mais leve. Muitas histórias que foram desesperadoras no momento acabam se tornando engraçadas com o tempo”, explica a diretora.
A peça também traz cenas mais emocionais sobre a vida antes da migração, sonhos interrompidos e o processo de reconstrução de identidade no Brasil. Durante os ensaios, o idioma foi um dos principais desafios. “Muitas vezes precisei parar os ensaios para explicar as ‘pegadinhas’ do nosso idioma, palavras que se escrevem igual e têm pronúncias diferentes ou que soam iguais com significados distintos”, conta Guerreiro.
A encenação aposta em cenário simples, com projeções de vídeo e figurinos sobre roupas pretas básicas. A trilha sonora, dirigida por Flávio Hernandes, inclui a canção Flutua, interpretada ao vivo pelo elenco. Duas atrizes, Adanne Udoka, da Nigéria, e Laura Velasquez, da Venezuela, eram cantoras em seus países de origem.
Para a diretora, o trabalho no palco tem papel importante no fortalecimento da autoestima das participantes. “O teatro coloca essas mulheres na vitrine. Elas são vistas e ouvidas. Estar em cartaz contando histórias reais, interpretadas por elas mesmas e em português, depois de tanto estudo e dedicação, valida essa jornada.”
A proposta também é aproximar o público da realidade de refugiados e imigrantes. “A ideia é mostrar essas histórias de uma forma diferente dos telejornais. Quando o público as conhece de perto, fica difícil continuar acreditando em preconceitos sobre refugiados.”
Ficha técnica:
Texto e direção: Danielli Guerreiro. Direção musical: Flávio Hernandes. Elenco: Adanne Udoka, Muzghan Yawari, Fahima Panahi, Atefa Mohammadi, Zaynab Ataollahi, Laura Velasquez e Arlete N’Daya. Capoeira e maculelê: Tante Silva. Coreografia: Matheus Spolzino. Figurino: Jawad Bator.
Serviço:
Espetáculo Daqui pra frente
Temporada: até 24 de maio
Dias e horários: sábados, às 20h | domingos, às 18h
Duração: 60 minutos.
Classificação etária:
Ingressos: gratuitos, retirada 1 hora antes do espetáculo.
Local: BibliASPA – Biblioteca Centro de Pesquisa América do Sul Paises Árabes África – Rua Baronesa de Itu, 639 – Higienópolis, São Paulo – SP, 01231-001.


