Dirigido por André Corrêa, espetáculo acompanha a história de dois homens que decidem viver uma relação afetiva após décadas seguindo os caminhos esperados pela sociedade
O escritor Gilvan Azevedo leva aos palcos o romance Éramos Ursos e Não Sabíamos, obra que conquistou leitores ao abordar amor, identidade e reinvenção na maturidade. Com estreia dia 8 de agosto no Teatro Commune, em São Paulo, o espetáculo Nós, Ursos tem direção de André Corrêa e reúne no palco o próprio autor e Mauricio Constantino.
Além de assinar a adaptação teatral, Gilvan Azevedo interpreta um dos protagonistas ao lado de Mauricio Constantino, seu marido e parceiro na criação da Cia. Salor. A montagem marca a transposição para o teatro de uma obra que nasceu na literatura.
A peça acompanha Saulo e Rodney, dois homens maduros que construíram suas vidas seguindo os caminhos esperados pela sociedade. Pais de família, profissionais estabelecidos e acostumados a corresponder às expectativas dos outros, eles se conhecem quando já carregam uma trajetória marcada por escolhas, responsabilidades e silêncios.
Entre mensagens, viagens e encontros escondidos, os dois constroem uma relação que insiste em existir mesmo quando tudo ao redor parece dizer o contrário. O espetáculo acompanha esse percurso marcado por afastamentos, pressões familiares, conflitos internos e pequenas conquistas, até o momento em que o segredo deixa de caber nos bastidores.
Misturando humor, drama e poesia, Nós, Ursos aborda temas como amor, paternidade, masculinidades, liberdade, envelhecimento, desejo e reinvenção na vida adulta. A montagem também lança luz sobre relações LGBTQIA+ maduras, um recorte ainda pouco frequente na dramaturgia brasileira contemporânea.
A adaptação teatral é assinada pelo próprio Gilvan Azevedo, que transporta para a cena o universo criado em seu romance. Publicado inicialmente no Brasil e posteriormente lançado em inglês, com edição internacional intitulada We Were Bears and Didn’t Know, o livro reúne uma comunidade de leitores interessados em temas como identidade, afeto, corpo, pertencimento e novas possibilidades de vida após os 40 anos.
“O teatro tem a capacidade de tornar visíveis conflitos que, no romance, acontecem dentro dos personagens. A adaptação não surgiu do desejo de ilustrar o livro, mas de explorar aquilo que o palco pode revelar de maneira única”, afirma Gilvan Azevedo.
Para a encenação, André Corrêa privilegiou as relações entre os personagens e a passagem do tempo como elementos centrais da narrativa. “Vejo Nós, Ursos como uma história sobre pessoas que chegam a um determinado momento da vida e precisam lidar com escolhas feitas, caminhos abandonados e possibilidades que ainda permanecem abertas. Buscamos uma encenação simples, focada nos atores e nos vínculos que eles constroem, combinando interpretação, projeções e desenho de som para ampliar a experiência emocional do público”, afirma o diretor.
O título da peça faz referência à cultura bear, surgida nos Estados Unidos na década de 1980 e difundida no Brasil a partir dos anos 1990. Dentro da comunidade LGBTQIA+, o termo “urso” identifica homens gays ou bissexuais que valorizam corpos robustos, pelos e barbas, mas também está associado a ideias de acolhimento, autenticidade e pertencimento. Ao incorporar essa referência, o espetáculo amplia a discussão sobre diversidade de corpos, afetos e masculinidades, retratando esse universo para além de estereótipos e caricaturas.
“A peça apresenta dois homens gays, mas não pretende transformar a sexualidade no único eixo de leitura desses personagens. Eles também são filhos, pais, profissionais, amigos, pessoas tentando conciliar expectativas externas e necessidades internas”, afirma Gilvan Azevedo.
O autor acredita que a história dialoga com questões universais relacionadas às escolhas e transformações ao longo da vida. “Por isso, embora a história parta de uma experiência específica, acredito que ela dialoga com qualquer pessoa que já tenha se perguntado se a vida que construiu corresponde à vida que deseja viver.”
Nós, Ursos é uma produção da Cia Salor, criada por Gilvan Azevedo e Mauricio Constantino a partir da experiência da Editora Salor. A companhia tem como proposta desenvolver projetos que conectam literatura, teatro e outras linguagens artísticas.
Ficha técnica:
Direção: André Corrêa. Texto e adaptação teatral: Gilvan Azevedo. Elenco: Mauricio Constantino e Gilvan Azevedo. Produção: Cia Salor. Figurinos e preparação corporal: Lu Castro. Desenho de iluminação: Rodrigo Pivetti. Desenho de som e projeções: Giba. Coordenação de produção: Lu Castro. Assistência de produção: Diogo Castro. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli. Design gráfico: Werner Schultz. Fotos e filmagens: Daniela Ferreira. Realização: Cia Salor.
Serviço:
Nós, Ursos
Estreia dia 8 de agosto, sábado, às 20h.
Local: Teatro Commune – Rua da Consolação, 1218, Consolação, São Paulo, SP.
Temporada: De 8 de agosto a 27 de setembro de 2026.
Dias: Sábados, às 20h e domingos, às 19h.
Classificação indicativa: 16 anos.
Duração: 70 minutos.
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada).
Link vendas: https://www.sympla.com.br/evento/nos-ursos/3453018


