Espetáculo “Não Sou Sua Diva” leva discussão sobre mídia e padrões de beleza

Solo de dança e performance investiga a figura da diva e seus impactos na construção da subjetividade feminina negra

Estreia neste mês de novembro o espetáculo “Não Sou Sua Diva”, criação da artista Rafa’ Amauzo que investiga a relação entre mídia de massa e subjetividade feminina, com foco especial na experiência da mulher negra diante dos padrões de beleza e expectativas de gênero disseminados pela cultura pop.

O trabalho parte de uma questão de como videoclipes, telenovelas, revistas e redes sociais moldam nossa percepção de nós mesmos? E como a figura da diva símbolo de um ideal feminino pós-revolução sexual se infiltrou no cotidiano a ponto de se tornar um verbo, uma ação, uma necessidade: “divar”?

Na cena, uma mulher-menina se faz no contato com os objetos domésticos: uma TV, um ventilador, um espelho. Em apenas três minutos, ao som de batidas fortes, sonhos se tornam realidade em uma performance interminável em busca de um eu ideal. A dramaturgia propõe uma reflexão: será que a diva não é uma espécie de santa contemporânea, que aparece todas as tardes para confortar aquelas que nada têm além de suas casas e seus desejos?

O espetáculo transita entre o real e o imaginário, o passado e o presente, o assistido e o performado, investigando comportamentos incorporados, suas motivações e as expectativas sociais que se produzem nesse processo.

A pesquisa que originou o trabalho incluiu um apanhado histórico do termo “diva”, desde seu provável primeiro registro em 1835, quando o poeta Théophile Gautier o usou para descrever a soprano Giulia Grisi na ópera “Norma”. O trabalho traça conexões com as figuras da musa e das deusas do amor e do sexo, presentes na história da arte, revelando um acúmulo histórico de significações em relação aos corpos femininos — sempre constituídos através do olhar masculino.

Com inspiração autobiográfica, “Não Sou Sua Diva” aborda especificamente os sentidos sociais atribuídos à mulher negra, propondo uma discussão sobre representatividade, padrões estéticos e a democratização da performance na era das redes sociais, onde todos ganham a oportunidade de atuar para uma audiência real.

O projeto, contemplado pela 5ª Edição do Edital de Apoio às Culturas Negras da Prefeitura de São Paulo, prevê circulação por diferentes equipamentos culturais da cidade, priorizando o acesso de públicos periféricos à discussão racial e ao debate sobre representação midiática.

Todas as apresentações contarão com roda de conversa ao final, além de recursos de acessibilidade como intérprete de Libras e audiodescrição em datas específicas.

Serviço:

“Não Sou Sua Diva”

Gênero: Dança/Performance
Classificação etária: +14 anos
Duração: 1h30 (espetáculo + roda de conversa)

Entrada Gratuita 

Dezembro

  • 04/12 (quinta-feira) – 19h

Ocupação Artística Canhoba

  • 11/12 (quinta-feira) – Confirmando o horário

SEST SENAT – Unidade Vila Jaguara

  • 12/12 (sexta-feira) – 20h

Comunidade Cultural Quilombaque

Com LIBRAS

  • 13/12 (sábado) – 19h

Ocupação Artística Canhoba

Com audiodescrição

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