FAT Ice Race transforma Montana em palco do automobilismo no gelo

Criado nos Alpes austríacos nos anos 1950, evento mistura corrida, lifestyle e festival de inverno

No fim de fevereiro deste ano, o estado de Montana, nos Estados Unidos, foi transformado em um circuito improvável para carros de alta performance. Foi ali que aconteceu mais uma edição do FAT Ice Race, um evento que combina automobilismo, moda e muita diversão.

A competição foi realizada entre os dias 27 e 28 de fevereiro, no complexo de Moonlight Basin, dentro da região turística de Big Sky, reunindo pilotos, colecionadores e entusiastas de carros de diferentes países. Durante os dois dias, mais de 50 veículos competiram em diferentes formatos, enquanto outros modelos raros ficaram expostos ao público.

Embora hoje seja tratado como um grande espetáculo de inverno, o FAT Ice Race tem raízes históricas. O evento nasceu em 1952, em Zell am See, na Áustria, inicialmente chamado de “Professor Ferdinand Porsche Memorial Race”. A corrida era disputada sobre um lago congelado e rapidamente se tornou um acontecimento popular, atraindo milhares de espectadores – e até competições curiosas como o skijöring, modalidade em que esquiadores são puxados por veículos.

 

Décadas depois, o conceito foi revitalizado pelo empresário e entusiasta Ferdi Porsche, que relançou o evento em 2019, com uma proposta híbrida: parte corrida, parte celebração da cultura automotiva. Desde então, o FAT Ice Race passou a reunir carros clássicos e máquinas modernas de competição em circuitos improvisados em locais abaixo de zero.

A edição que rolou em Montana marcou mais um passo na internacionalização da iniciativa. Depois de uma estreia mais tímida em solo ianque, em Aspen, o evento desembarcou nas Montanhas Rochosas, região conhecida por seus invernos rigorosos e paisagens dramáticas. O destino escolhido foi adaptado para receber uma pista gelada temporária, transformando o terreno nevado em uma pista de alta velocidade.

Por ali, os carros competem em diferentes categorias – algumas focadas em desempenho e outras em estilo ou originalidade. Entre os modelos que chamaram atenção nesta edição estavam clássicos como o Ford Mustang de 1965, o lendário Lancia Delta Integrale de 1992, o Ford Bronco RTR de 2025, um Bentley Supersports, pilotado pela jovem competidora Lia Block e superesportivos modernos, como o Porsche GT3.

O trajetoné desenhado sobre gelo compacto, exigindo técnicas de pilotagem muito diferentes das usadas em pistas convencionais. Em corridas sobre o gelo, o controle do carro depende principalmente da tração oferecida por pneus especiais com cravos metálicos, capazes de penetrar na superfície congelada e garantir aderência suficiente para curvas e acelerações rápidas. Mesmo com esse nível de dificuldade, dirigir em áreas congeladas continua sendo um exercício de equilíbrio entre potência e precisão. Pequenos erros podem fazer o carro rodar e perder completamente a chance de uma bandeirada quadriculada.

Outro aspecto bacana é o ambiente. Diferentemente de campeonatos tradicionais do automobilismo, o FAT Ice Race incentiva a proximidade entre pilotos e espectadores. O público pode circular pelo paddock, observar os carros de perto e acompanhar os preparativos das equipes, algo raro em competições profissionais. A programação também inclui festas, exposições e encontros de colecionadores. Em Montana, as atividades começaram ainda antes das corridas, com uma exposição pública de carros raros no centro da cidade de Big Sky.

No cenário das corridas de carros, a ação representa uma tendência recente, que é a transformação de corridas em experiências culturais e turísticas, capazes de atrair especialistas e fãs do esporte. @fat.icerace

Patrícia Favalle

 

 

 

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