Campeonato 2025/2026, que se encarra dia 16 de agosto em Londres, será o último do piloto brasileiro na categoria
Quando o Campeonato Mundial de Fórmula E disputou sua primeira corrida, no dia 13 de setembro de 2014, no Parque Olímpico de Pequim, China, havia uma dúvida fundamental: a ainda incipiente tecnologia dos monopostos elétricos, que obrigava os pilotos a utilizar dois carros durante a prova pela pouca duração da bateria, deixava no ar a incerteza do sucesso de um empreendimento tecnologicamente tão ousado para a época. Passados doze anos, o campeonato não apenas se consolidou como uma das competições mais sofisticadas e disputadas do mundo, como movimentou e influenciou a indústria automobilística, atraiu centenas de patrocinadores de âmbito global, além de reunir continuamente vários dos melhores pilotos do mundo.
Nesse período de mais de uma década, apenas um piloto foi ao mesmo tempo presença constante e bem-sucedido na pista a ponto de se tornar sinônimo de competitividade e da própria tecnologia elétrica, duas características fundamentais do Mundial: o brasileiro Lucas Di Grassi. Nesta quinta-feira (30), o piloto de 41 anos, anunciou que encerrará sua versátil carreira, que soma 32 anos de atividade em alto nível, desde sua estreia no kartismo, em 1994.
Mais que um piloto – Como faz questão de frisar o espanhol Alejandro Agag, fundador do Mundial, “Lucas não é apenas um piloto”. De fato, o brasileiro foi o segundo parceiro de Agag na empreitada de construir um campeonato mundial com tecnologia inédita e a partir de uma folha de papel em branco – o outro é o também espanhol Alberto Longo, atual dirigente da F-E e também primo de Agag. Consultor técnico, com um talento especial para trabalhar com tecnologia, Lucas foi fundamental no desenvolvimento do carro e na filosofia que transformou a categoria em um grande sucesso já a partir das primeiras temporadas – fazendo dela um “case” único na história o esporte.
Primeiro piloto a se comprometer com o campeonato totalmente elétrico, Lucas desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do protótipo original que foi usado como base do GEN1, o primeiro carro da F-E. Naquela corrida de estreia, em Pequim, Di Grassi sintomaticamente conquistou a primeira vitória da história da categoria. Ainda hoje, aos 41 anos, o brasileiro se mantém competindo no mesmo alto nível que o levou a ser top 3 nas cinco primeiras temporadas consecutivas: foi campeão (2016/2017), duas vezes vice (2015/2016 e 2017/2018) e duas vezes terceiro colocado (2014/2015 e 2018/2019).
Di Grassi foi o primeiro piloto a superar a marca dos 1.000 pontos. O brasileiro também coleciona vários marcos invejáveis no Mundial: 13 vitórias e 41 pódios até o momento. Antes da Fórmula E, Di Grassi competiu na Fórmula 1, foi campeão mundial de Fórmula 3, ao vencer o GP de Macau (considerado uma das corridas mais difíceis do mundo). É até hoje o melhor brasileiro da história em Le Mans, com três pódios (incluindo um vice-campeonato), além de vice-campeão mundial de Fórmula 2 e do WEC.
Di Grassi anunciará em breve seus planos para o futuro dentro do esporte. Enquanto isso, Lucas completará sua última temporada como piloto com a Lola Yamaha ABT no Campeonato Mundial ABB FIA Formula E, trabalhando também no desenvolvimento do modelo GEN4 utilizado por sua atual equipe.


