Em Araquari (SC), os novos nacionais: BMW Séries 1 e 3, X1 e X3, e Mini Countryman

Em Araquari (SC), os novos nacionais: BMW Séries 1 e 3, X1 e X3, e Mini Countryman

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A imigração alemã é uma realidade marcante na vida brasileira desde que o Brasil se declarou independente de Portugal. A rigor, já desde a descoberta por Pedro Álvares Cabral, peritos, cientistas e artistas alemães participaram da construção do nosso  País – entre eles o Maurício de Nassau, administrador da Compania Holandesa das Índias Ocidentais no Nordeste brasileiro. Declarada a independência, cerca de 300 mil alemães foram atraídos para o Brasil ao longo de mais de 100 anos, a partir de 1824. Nesse ano histórico, que deu início à imigração organizada e sistemática no Brasil, um grupo pioneiro de 39 imigrantes alemães, de várias regiões e duas religiões, católicos e protestantes, aportaram na atual São Leopoldo. Na época, a única referência local era a então embrionária e falida Real Feitoria do Linho Cânhamo – uma empresa estatal tocada a braço escravo e destinada à produção de velas e cordéis de navios.
De São Leopoldo, saíram para o resto do País e se estabeleceram, principalmente, em Santa Catarina. Joinvile, entre tantas outras cidades foi escolhida pelos descendentes dos pioneiros alemães. Ali pertinho da bela Joinville, em Araquari – apenas 25 quilômetros de distância, a BMW escolheu como o local para sua primeira fábrica de automóveis aqui no Brasil. E ontem, dia 16 de dezembro, foi lançada a Pedra Fundamental das futuras instalações fabris da marca aqui no Brasil.
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A planta brasileira vai fabricar os Série 3, Série 1, X1 e X3, e acrescentou aos seus futuros carros nacionais o Mini Countryman, marca que pertence ao grupo. Com isso, aumentou bastante a complexidade de sua produção brasileira, com quatro plataformas diferentes, mas em compensação, segundo as regras do Inovar-Auto, a empresa ganhou uma cota de importação flexível de carros similares, de até 8 mil unidades/ano, que ficam livres da sobretaxação de IPI de30 pontos porcentuais. O número é equivalente a 25% da capacidade instalada da nova planta catarinense, que começa o operar em outubro de 2014 em um turno de trabalho e potencial para fabricar 32 mil veículos/ano, com investimento de € 200 milhões anunciado em outubro de 2012.
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“Fomos a primeira marca premium a anunciar a fábrica no País após o Inovar-Auto e seremos a primeira a começar a produzir”, destacou Arturo Piñeiro, presidente do BMW Group Brasil, durante evento na segunda-feira, 16, que marcou o início das obras dos prédios da nova fábrica – a terraplanagem foi praticamente concluída nos últimos oito meses. A unidade industrial será essencial para a estratégia de crescimento da marca no Brasil. Piñeiro estima vender 40 mil carros por ano aos brasileiros a partir de 2017, somando a produção nacional e as importações, o que significa mais que triplicar os volumes atuais de modelos BMW e Mini vendidos no mercado brasileiro.
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“Esta fábrica segue nossa estratégia global de crescimento rentável, com a produção que segue o mercado”, afirmou Ludwig Willisch, presidente do BMW Group Americas. “O Brasil tornou-se importante para nossas vendas globais e para manter nosso ritmo de expansão aqui precisávamos da planta local”, acrescentou. Segundo ele, todos os cinco modelos serão produzidos em uma só linha de montagem. “Isso demonstra nossa flexibilidade.”
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Piñeiro afirmou que em cerca de três anos a montadora espera atingir a capacidade máxima inicial da fábrica, destinada somente ao consumo doméstico. “Poderemos exportar só depois de atender o mercado brasileiro”, disse. “Ainda não pensamos em expansão, mas se for necessário podemos fazer isso dentro das mesmas instalações, com a adição de mais turnos, pois começaremos com somente um”, explicou.
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Também não faltará espaço para crescer em caso de necessidade: a construção de linhas de armação de carroceria (solda), pintura e montagem final, além de prédios administrativos, ocupará 500 mil metros quadrados de área pavimentada em um terreno de 1,5 milhão de metros quadrados.
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BMW 320i Active Flex
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BMW também aproveitou o dia de comemorações para apresentar o seu primeiro carro bicombustível etanol-gasolina: o sedã 320i Active Flex levou dois anos para ser desenvolvido pela equipe de engenharia da fabricante alemã e será um dos cinco modelos produzido na planta de Araquari (SC), mas já começou a ser vendido no mercado brasileiro, ainda importado da Alemanha, por R$ 129.950. O carro, o primeiro flex turbinado do mundo, traz avanços à tecnologia de motores flexíveis, pois é mais econômico rodando com etanol e não precisa usar o tanquinho de gasolina nem o sistema de pré-aquecimento dos bicos injetores para a partida a frio.
O primeiro modelo flex da BMW teve a ajuda da engenharia brasileira da Bosch, que ganhou experiência com o fornecimento do sistema em larga escala no Brasil. Após o período de desenvolvimento, a Bosch passou a fabricar e fornecer à BMW na própria Alemanha os principais elementos do powertrain bicombustível, incluindo a central de controle eletrônico, bombas de alta e baixa pressão e a injeção direta que trabalha entre 200 e 250 bars.
“Pela primeira vez desenvolvemos um motor só para um país”, destacou Luiz Estrozi, gerente técnico do BMW Group Brasil. “Como nossos carros já entregam desempenho suficiente, privilegiamos a economia”, disse Estrozi, para explicar por que não houve aumento de potência quando o 320i ActiveFlex usa só etanol. Segundo ele, quando abastecido com o biocombustível, o carro gasta cerca de 38% mais do que com gasolina. Em comparação com a média dos modelos flex brasileiros, que na média consomem 43% mais com álcool, houve um ganho de cinco pontos porcentuais.
O principal fator a favor da economia, no caso da BMW, é o uso da injeção direta e um sensor instalado antes da câmara de combustão – ao contrário dos demais carros flex, que leem essa mistura após a queima. O sensor indica o combustível antes da detonação, fazendo com que a central eletrônica ajuste com maior eficiência a quantidade exata de etanol ou gasolina (ou ambos misturados) necessária para o desempenho requerido pelo pé no acelerador.
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Também graças à injeção direta calibrada para o álcool e ao comando eletrônico de válvulas foi conquistado mais um avanço para a tecnologia flex: o motor da BMW é acionado a frio com 100% de etanol sem necessidade de injeção de gasolina, o que elimina o tanquinho, nem do sistema de pré-aquecimento dos bicos injetores.
O turbocompressor usado pela BMW em seu flex é um Honeywell Garrett de duplo estágio, o primeiro a operar em um carro flex à venda. Segundo a engenharia da marca, não foi necessária nenhuma modificação para a turbina funcionar com etanol. “Não houve nenhuma contaminação, pois o etanol evapora antes da admissão no turbo. Fizemos vários testes e não houve necessidade de nenhuma mudança”, afirmou Markus Brown, gerente técnico do projeto de motor flexível da BMW.
A BMW ainda não revela para quais outros motores pretende instalar o sistema flex para venda no Brasil, mas Estrozi admite que “é um caminho natural” adotar motores bicombustíveis para toda a linha fabricada no Brasil. O sistema desenvolvido pode equipar qualquer motor entre 1 e 2 litros, trazendo a vantagem de imposto (IPI) menor cobrado de veículos flex.
 

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