Muito além

Muito além

Tríplice Fronteira 2015
O refrão mais ouvido durante a viagem pela Tríplice Fronteira traduz bem a vida de um aventureiro de carteirinha: “Tire os pés do chão ponha os pés na estrada!”
Tríplice Fronteira 2 2015

Nos últimos dez anos acumulei mais de cinquenta mil quilômetros de estradas. Fui ao Chuí, cruzei a Argentina em todos os seus extremos, do Pampa del Infierno até a cidade mais austral do mundo; parei para admirar as geleiras eternas do Calafate, escalei parte do Aconcágua, desbravei o deserto do Atacama, contornei o Uruguai, passei pela Bolívia e me atrevi a zanzar pela ponta caótica do Paraguai. Tudo isso de carro.
Argentina 2015
No começo as viagens eram feitas a bordo de um Fiat Pálio 1.0. Quase solitária. Há quem diga que só os bravos se arriscam dessa forma – pois bem, taí um veículo que jamais me deixou na mão. E bastava sentir o gosto da gasolina “azul” portenha para o popularesco automóvel, literalmente, voar. Foi com ele que atravessei pela primeira vez o Atacama. Em curvas sinuosas, o top de vendas da Fiat fez bonito. Nem o calorão sufocante o fez parar. Nas aventuras seguintes, dessa vez para Mendonza e Santiago, o companheiro de trip foi um Fiat Idea 1.8. Mais potente e também mais beberrão, o carro não garantiu grandes surpresas. Fez apenas o esperado (diga-se, suficiente quando se trata de cinco mil quilômetros de chão!).
Atacama3 2010
Há dois anos apaixonei-me perdidamente pelo jipinho da Suzuki. Valente, o auto não treme diante dos percalços que algumas estradas sul-americanas impõem. Ao contrário; é seguro, econômico e, acredite, confortável. Em minhas exploradas recentes tenho mais ocupantes no veículo – somos quatro pessoas (três adultos e uma criança), duas malas grandes, bolsa térmica, muitos sacos de cheetos (amamos o petisco!) e uma bola de futebol. Foi com essa configuração que conhecemos o Uruguai, em 2014, e repetimos a dose este ano, na Tríplice Fronteira entre Brasil-Argentina-Paraguai.
Bagé - RS 2014
Infelizmente, como o modelo foi projetado para circuitos off-road de baixa velocidade, ao atingir a marca dos 120 km/h o consumo de combustível vai às alturas. Já o New March, da japonesa Nissan, que também esteve presente nesta aventura, arrasou no quesito economia, fazendo 14,8 litros por quilômetro. Senti até uma ponta de inveja… Mesmo assim, é com o pequeno samurai sobre rodas que já estou rascunhando a próxima empreitada: o lago Titicaca, no Peru.
Calafate 2009
Vale dizer que quando me decidi pela compra do Jimny, pensei em um carro que aliasse robustez e dinamismo, capaz de me acompanhar no dia a dia urbano e também nas investidas outdoor. Um bravo que se recusa a perder a ternura.
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*O refrão citado no começo do texto é da banda Ira!

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