Sorria, você acaba de ser multado!

Sorria, você acaba de ser multado!

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Institucionalizada como indústria, a multa de trânsito financia a máquina pública e não é aplicada onde realmente deveria ser
Quem anda pelas principais capitais brasileiras sabe que não está fácil passar despercebido pela fiscalização eletrônica – em São Paulo, por exemplo, os radares praticamente triplicaram desde 2010. Embora os famosos “marronzinhos” tenham sumido do mapa, como uma premonição dos tempos modernos em que os robôs finalmente substituem os homens, os olhos biônicos que tudo veem registram das placas que burlam o rodízio aos velocímetros turbinados, nesse caso, um ato falho da colunista, já que o veneno dos motores, em muitos casos não pode sequer ultrapassar a casa dos 40 quilômetros por hora. São Paulo, literalmente, parou. Aquela velha ideia do futuro impulsionado pelo zunido de quebrar a barreira do som ficou mesmo na ficção científica…
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No presente mais pé no chão e bike do que nunca, mesmo com essas ciclovias que não ligam nada a lugar nenhum, o jeito é encarar o trânsito medonho da Pauliceia com a mão no bolso – sim, o assalto é a única coisa com viés cyber e com conjugação no futuro – afinal, a infração é postada pelos correios! E se você motorista ainda não caiu nas armadilhas com mais de 601 radares espalhados pela cidade, pode aguardar que o seu dia ainda está por vir. Para se ter uma ideia do montante arrecadado pelos cofres públicos, só no ano passado foram R$ 850 milhões oriundos das multas. E a estimativa, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET, a quem prefiro chamar carinhosamente de “Companhia Estraga Trânsito”), é que o número de equipamentos em São Paulo duplicará até o final de 2015 – alcançando a marca de 843 aparelhos. Oh my God! Imagina se esse contingente fosse usado para coibir a bandidagem? Claro que muitos acidentes são evitados graças a inspeção ostensiva, não estou aqui fazendo apologia contrária, mas, sim, que a sua utilização seja, inclusive, revista. Infelizmente não tive acesso aos dados atualizados nem aos investimentos feitos com o dinheiro coletado – entretanto, mesmo sendo obrigatório que os municípios apliquem os recursos integralmente em campanhas educativas e em melhorias da sinalização do trânsito, é sabido que a maioria não faz isso, desviando as verbas para impulsionar programas que “puxam votos”. Não cabe levantar suspeitas, pois, como disse, não nos foi oferecido o acesso às aplicações da prefeitura.
Contudo, se a prerrogativa é ampliar ainda mais a fiscalização, isso quer dizer que a arrecadação vai aumentar significativamente – estamos falando em algo em torno de R$ 1,2 bilhão – perspectiva que deve constar dos balancetes deste ano fiscal. Para um semestre cambaleante, essa é uma medida pouco contestada, que muita gente paga e que o governo lucra limpinho da silva. Receita das boas. Trocando em miúdos, como diria um jargão publicitário sacado dos baús dos anos 1980: “Nada mal, hein, Fernandinho?!”.

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