Assim caminha a humanidade

Assim caminha a humanidade

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Dá para acreditar que as bikes seculares estão mais moderninhas do que os carros?
O futuro chegou – pelo menos era o que alardeava a ficção científica décadas atrás – e pouco mudou na engenharia automotiva. Os possantes continuam querendo ser o DeLorean, do filme De Volta para o Futuro, entretanto, seguem sem ter encontrado fontes alternativas (e acessíveis) de combustíveis, ou seja, dependem quase que totalmente do petróleo, detalhe que os mantêm na dianteira entre os vilões poluidores.
Além disso, quem imaginou que no século 21 estaria zanzando por aí a bordo de um exemplar supersônico ou que coubesse em uma maleta de mão (lembram-se dos Jetsons?) amarga à desilusão de constatar que o veículo do momento tem duas rodas e depende do esforço humano para atravessar alguns quarteirões. A bicicleta, que está prestes a completar duzentos anos desde a sua invenção, criada originalmente em 1817, pelo Barão Karl von Drais, virou a mocinha contra o caos do trânsito e do ecologicamente correto.
Embora exista um enorme esforço da indústria para não permitir que isso aconteça, o certo é que continuaremos nos locomovendo (lentamente) em arquétipos que trazem o perfume retrô impresso nas carcaças e interiores articuláveis – eis a novidade da temporada que acaba de ser apresentada no Salão de Tóquio (realizado em outubro de 2015).
Nas linhas externas o design elegeu o vintage como bossa futurista, talvez por que os projetistas estejam assistindo Blade Runner demais e lendo Arthur C. Clarke de menos… Os modelos estão supercompactos atendendo a demanda de escassez de espaço atual, mas nem por isso saem do chão ou trazem quesitos que nos farão respirar o dia depois de amanhã. Pra falar a verdade, os carrões de 2015 são quadrados e esquisitos, caso da Minivan Noriori, da Daihatsu, que só tem a customização como ponto favorável (igualzinho ao Suzuki Air Triser). No Nissan Teatro for Dayz o elemento estético visionário é o efeito digital, que transforma o conceito da máquina em algo capaz de ser usado como condução. É uma amostra típica da Era Divergente.
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A categoria mini é a mais criativa. Claro que ninguém quer ficar sufocado no meio do tráfego, porém, se as premonições se consolidarem é recomendável aprender a lidar com problemas como a claustrofobia o quanto antes. O Honda MBVE tem formas arrojadas e bateria móvel recarregável. Parece um jipinho saído do universo Playmobil. Já o Wander Stand, outra aposta da Honda, mede 1,96 m de comprimento e anda na lateral e na diagonal. Bom para quem não manda muito bem na baliza.
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Na contramão do fun, alguns desenhistas não desapegam das linhas esportivas e avantajadas dos automóveis do presente – e, assim, idealizam o porvindouro. Resultado: do Mazda RX-Vision ao Nissan Gripz Concept está em curso a revolução ‘transformer” comandada por machos alfas ultrapassados. (Nota dessa que vos escreve: os carros podem ser lindos, mas, com exceção de um “híbrido” grafado no descritivo e do adjetivo “autônomo”, são exatamente os hot wheels colecionáveis de sempre).
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Por fim, é importante frisar que as SUVs não foram trancafiadas em um museu e que o sonho do futuro segue impulsionado pelo ronco do DeLorean ecoando pelas ruas da Pauliceia.
 
 
 
 
 

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