Avaliação: Triumph Tiger Sport cansou das esportivas, mas ainda busca performance? 

Avaliação: Triumph Tiger Sport cansou das esportivas, mas ainda busca performance? 

2014-10-05 14.06.56
Assim como no setor de automóveis os modelos Crossover, tem jeitão de fora de estrada, mas só anda no asfalto, se tornaram febre de consumo, o mesmo acontece com o setor de duas rodas.
Já algum tempo que os fabricantes descobriram que um percentual altíssimo de seus clientes que consomem produtos fora de estrada como as legítimas Big Trail´s jamais são colocadas fora do asfalto.
De olho nisso, desenvolveram produtos derivados das grandes naked´s e esportivas puro sangue, eis as Crossover´s de duas rodas: posição e conforto de Big Trail com ciclística de esportiva, motor amansado, rodas esportivas, …
A Triumph em 2007 lançou a Tiger, então 1050, com quadro de alumínio, rodas de liga leve com a roda dianteira de 17 polegadas, antes, desde 1993 era roda raiada de 19 polegadas e chassi de aço.
Em 2013 lançou o modelo 2014 após um período onde buscou o feedback dos clientes para melhorar o produto e a trata como uma “Adventure Sport”, veja detalhes na apresentação da Triumph: colocar link do pdf.
Pilotando
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Não é a primeira vez que fico com essa moto e poucas motos dão tanto prazer em pilotar. Na semana que fiquei com ela, tinha palestras em Curitiba, Campinas e São Paulo.
Adoro viajar para Curitiba porque a estrada é desafiadora pelos caminhões, serras, curvas, retas, paisagens… A Tiger Sport mostra a que veio, é uma devoradora de distâncias, nunca foi tão perto de São Paulo, não só devido a velocidade que ela é capaz de rodar, mas pelo conforto que o conjunto proporciona, com um motor que sobra a míseros 5000RPM em 6ª marcha a 120km/h liso sem vibrações, vale nota: como faz curvas.
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Cada saída de pedágio era uma delícia, já indo para Campinas passa pelas chicanes dos pedágios a 35km/h na mesma 6ª marcha a outros míseros 1500/2000RPM, óbvio que é muito mais gostoso reduzir para 1ª marcha e meter a mão sem dó para escutar o som enfurecido desses 3 cilindros, no escape 3X1, que mais parece uma turbina, que possui um motor com binário fantástico com pico de torque de 10,6 kgfm a 4300RPM e 125cv de potência a 9400RPM.
Transitando com a Tiger Sport fica por conta de o piloto reduzir ou não em uma ultrapassagem, porque em 6ª marcha ela não pede redução, basta girar a manopla direita que a resposta é imediata com a rotação crescendo absurdamente rápido.
 
Se nas esportivas a reclamação geral é da “xoxisse” em baixa rotação, saiba que nessa moto, ao sair da imobilidade ela se mostra totalmente acordada. Engatando a 1ª e arrancar, antes de passar para 2ª marcha já estará a mais de 100km/h em curtíssimo tempo, com um soco no estomago que só os mais experientes aguentam e sem o menor esforço a frente tende a levantar.
Rodando em trecho urbano ou nas marginais de São Paulo com um pouco de congestionamento nota-se que essa moto é perfeita para quem só pode ter uma na garagem, pois é esquia, transita tranquilamente entre corredores e descobri que a marcha perfeita na Tiger Sport é a 4ª, perfeita porque lhe permite não ter que ficar cambiando, você consegue trafegar a 20km/h até os 70km/h (das marginais) sem necessidade de reduzir ou esticar, com o torque abundante para sair rápido, se necessário.
Essa moto não é para principiantes e a Triumph sabe disso por meio de suas pesquisas que constatou a idade média de seus clientes é de 47,5 anos que buscam performance com conforto. Talvez por isso não conta com eletrônica alguma como controle de tração ou módulo de injeção para diminuir a cavalaria e desta forma consertar erros de pilotagem.
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Se nas esportivas a suspensão é mais dura, bate fácil o fim do curto curso que é uma necessidade e característica desses modelos que não deixam de sofrer nas nossas onduladas e esburacadas ruas, na Tiger Sport fica a critério do piloto uma suspensão mais dura ou mais confortável, já que conta na dianteira com garfos invertidos Showa de 43 mm, com regulagem de amortecimento de pré-carga, rebote e compressão de 140mm de curso e na traseira com amortecedor monoshock Showa, também, com regulagem de amortecimento de pré-carga e rebote com curso de 155mm.
A ergonomia da Tiger Sport é muito boa, garupa e piloto bem posicionados, o encaixe das pernas no tanque é perfeito, braços relaxados e botões do punho de excelente acabamento, bem encaixados e de bom tato, todavia, a Triumph precisa repensar no botão de acionamento do pisca alerta que ficou no painel e por incrível que possa parecer é mais útil sua posição no punho do que no painel.
Explico: Com o nosso Código de Trânsito Brasileiro de 1997 (letra “a”, inciso V, artigo 40), o pisca alerta pode ser utilizado em movimento para advertir outro motorista.  Na motocicleta sua utilização é de suma importância quando adentramos em túnel, ocorrendo ofuscamento pela claridade do dia, para aumentar sua visibilidade e quem vem atrás diminuir a velocidade e naquelas frenagens repentinas que ocorre em rodovias e trechos urbanos, aliás, várias marcas de automóveis já dispõem de sistema que aciona o mecanismo de acordo com a pressão exercida no pedal de freio.
O painel oferece boa leitura, mesclando marcador de velocidade digital e rotação do motor analógico, há funções como autonomia em km, média de consumo, consumo instantâneo e, muito útil, autonomia regressiva em km quando entra na reserva, senti falta do marcado de marcha, algo já característico em outros modelos da família Tiger.
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O para-brisa achei um tanto diminuto, podia ser uns 3 centímetros mais alto e com inclinação mutável, com nas suas outras irmãs Tiger, justifico: em baixa velocidade não há proteção alguma, até parece que você está pilotando um naked e em alta velocidade a partir dos 90km/h forma-se uma turbulência incomoda, além de proteger pouco do vento e dos mosquitos nas rodovias.
Na hora de abastecer, outra surpresa, a Tiger Sport bebe pouco para um motor de pouco mais de 1000 cilindradas, com média de 16,8 km/l, ainda em fase de amaciamento, já que a peguei com pouco menos de 2000 km.
Suas concorrentes diretas: Kawasaki Versys 1000 que dispõe de motor 4 cilindros, chassi de alumínio, eletrônica como controle de tração e modulo de injeção para diminuir a cavalaria a R$ 53.990,00, Ducati Multistrada, apesar das 200 cilindradas a mais, com chassi em treliça de aço, motor 2 cilindros, muita eletrônica como controle de tração e controle de potência que varia de 100 a 150cv a R$ 59.900,00 (std) e as recém nascidas BMW S 1000XR, também com 4 cilindros, 160cv, com muita eletrônica, chassi de alumínio a R$ 69.900,00 e Yamaha MT-09 Tracer de 3 cilindros, chassi de alumínio, vasta eletrônica como a concorrência à R$ 45.990,00, todas com roda dianteira de 17 polegadas e pneus esportivos
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Há outros modelos no mercado, mas por ser a roda com 19 polegadas, a pegada já é outra e essas, encaram sem sofrimento pequenos trechos de terra.
Muitos me perguntam se a marca é confiável: a Triumph desde o início das operações no Brasil tem sido um case de sucesso, por oferecer bons produtos a preços mais justos que a concorrência, com um pós-vendas eficiente, digno de ser premiado com 100% de “Satisfação do Cliente”.
Por essas e outras, a Tiger Sport a R$ 45.990,00, mas com promoção a R$ 38.900,00 tem um custo benefício muito interessante, especialmente se o feliz proprietário quiser gastar um pouco mais com os acessórios como malas laterais, top case de 55 litros (com tomada para carregar celular), protetor de motor e mãos e aquecedor de manoplas desembolsará mais R$ 11.800,00, ou seja, por cerca de R$ 50 mil leva uma moto para uso diário e viagens por menos que os modelos standard da concorrência, que com acessórios a diferença sobe para R$ 9 mil no caso da Kawasaki e mais de R$ 20 mil reais se comparado com Ducati e BMW. A Triumph oferece em duas cores: Branca e Vermelha.

André Garcia, especial para Super Top Motor

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