Armadilhas emprestadas

Armadilhas emprestadas

Escrito por: 

06/03/2015

Já ouviu aquele ditado que adverte que “o seguro morreu de velho”? Então, quando o assunto for aluguel de carro, vale redobrar a atenção

Você planejou cada detalhe da sua viagem de carro pela Europa – das reservas nos hotéis às paradas para abastecimento. Nada ficou de fora, incluindo toda a burocracia que envolve o aluguel de um carro no exterior. Pode até parecer fácil, mas se o aventureiro não ficar de olhos bem abertos, a trip tem tudo para se transformar num problemão.

Ainda no Brasil é possível fazer a locação do veículo – sempre levando em consideração o seu perfil. Mas antes de fazer o check in, é importante pesquisar sobre as leis de trânsito dos países que fazem parte do seu roteiro, por exemplo, não dá para escolher um possante em solo português (que tem limites de velocidade iguais aos daqui) ou pegar um mini quando se tem quatro malas enormes a tiracolo! Outro detalhe é investigar se a habilitação tupiniquim é aceita como documento internacional – os nórdicos nem sabem sobre a nossa existência…

Eleito o carro que o acompanhará durante a jornada, esteja ciente dos valores que serão desembolsados para evitar perrengues. Quem faz o tipo mochileiro – e prefere esquematizar os dias a partir de quantias pré-definidas, não vai ficar nem um pouco satisfeito quando a locadora tolher mais de mil euros do seu único cartãozinho de crédito. E isso acontece.

Mesmo que a empresa no Brasil jure de pés juntos que os preços cobrados não passem de uma caução de 100 dólares, faça o São Tomé e só acredite vendo (mas, por favor, tenha a postos um cartão extra para evitar constrangimentos). Falo por experiência própria, pois da última vez que me arrisquei em desbravar um circuito motorizada, tive que concordar com o bloqueio de 1.200 euros (cerca de 4 mil reais) apenas para não minguar as férias em família.

 

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Ainda que o pessoal da empresa (que prefiro não nomear) tenha me garantido o contrário, no quarto dia da rota – com mais seis pela frente – inutilizei um dos cartões que levava comigo. É natural que esse contratempo gere mal estar, porém, bastou ligar o carrinho (furreca – um Nissan March sem nenhum atrativo supersônico) para esquecer o assunto. E foi assim até abrir a carteira, uns 150 quilômetros adiante.

Como a situação não pode ser resolvida além-mar, ao retornar, entrei em contato com a companhia para fazer uma reclamação, além de um alerta. Semanas depois, como se fosse uma recompensa, foi me ofertou a diária de um carro da categoria “C”. É óbvio que fiquei com a impressão de que o cliente, embora sempre tenha razão, continua sendo tratado como alguém de segunda classe. Não pela obviedade do C, mas pelas informações desencontradas e pelo terrível acanhamento a que estamos sujeitos em terras desconhecidas.

A resposta, neste caso, poderia ter sido um singelo pedido de desculpa – com a certeza de que os procedimentos seriam revistos. Enfim, fica a dica: ao alugar um carro, questione à exaustão sobre os valores e exija saber mais sobre o conteúdo das entrelinhas. Ainda que o dinheiro seja uma garantia para assegurar o bem, se você não contar com essa variável, pode acabar com o seu sonho ali mesmo, no balcão da locadora. Chato, né?

 

 

 

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