Quer uma carona?

Quer uma carona?

Escrito por: 

16/09/2015

Elas já são quase metade da população habilitada, e cada vez mais disputam às ruas com os motoristas apressadinhos e que se acham o máximo

Esse é um dos assuntos mais espinhosos – para não dizer sexista – do mundinho automobilístico. Quando se está no trânsito, basta uma derrapada para o motorista do carro ao lado disparar a seguinte pérola: “Só podia ser mulher”. Na contramão do comentário, a verdade que reflete o trânsito é bem mais cor-de-rosa do que imagina a trupe machista.

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De acordo com pesquisa do Detran, para cada 10 mil mulheres, apenas 1,31 se envolveu em acidentes fatais em 2011. Entre os rapazes, o índice foi de 5,94. Mesmo “flex” – toda mulher tem aquela condição de berço de fazer mil coisas ao mesmo tempo –, acredite, elas são muito mais cautelosas que os machos alfas ao volante. “A mulher é mais educada, dirige dentro da velocidade regulamentada e é mais ponderada. Se leva uma ‘fechada’, não sai atrás para retrucar. Para o homem, o veículo é sinônimo de poder. Ele usa o automóvel para se afirmar e é mais imprudente”, diz José Alves Bezerra, ex-diretor-geral do Departamento de Trânsito de Brasília.

Embora as moças tenham o péssimo hábito de não ceder passagem nem para a ambulância ou para a viatura histérica da polícia – e faço aqui um mea culpa, pois também não abro espaço para outro carro zanzar à minha frente –, é fato que o mulherio causa frisson nos minutinhos de freio puxado durante o farol vermelho ou de engarrafamento de horário de pico. Ali, com as caras embasbacadas dos pares cheios de testosterona, elas conseguem retocar o rímel, atender ao telefone (no viva voz), responder uma mensagem no WhatsApp, criticar o modelito da transeunte que está atravessando a rua e ainda arrumar o esmalte. A única coisa que irrita uma dama no caos urbano é o som da buzina chata. Vamos combinar que os três segundos de atraso na demora em engatar a primeira marcha e arrancar com o possante não interferem em nada, só mesmo no bom humor e na civilidade das pessoas.

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Finalmente para ilustrar o tamanho da injustiça contra nós, o DPVAT, seguro pago em caso de acidentes, atesta que indenizou 24% de mulheres e 76% de homens, em 2014. Trocando em miúdos, tirando a fila dupla na frente da escola do filhote – traço da genética protetora feminina –, é muito melhor aceitar a carona da morena poderosa que arrasa no batom vermelho que do garotão sarado que faz a linha “vou malhar um pouco mais esse bíceps”. Afinal, as estatísticas não mentem.

 

 

Patrícia Favalle

 

 

 

 

 

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