Após 14 anos, a maison francesa revive sua Classic Run com carros raros, patrimônio cultural e Fórmula 1
Quatorze anos depois da Serenissima Run, realizada em 2012, a Louis Vuitton volta a colocar a estrada no centro de seu enredo sobre luxo e patrimônio. Entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026, a grife promoverá a Louis Vuitton Dolomites Classic Run, uma corrida de regularidade que atravessará alguns dos cenários mais emblemáticos da Itália, conectando Veneza, as Dolomitas e Monza em uma celebração daquilo que a marca define, desde o século 19, como a “Arte de Viajar”.
Longe de uma competição pautada pela velocidade extrema, a proposta recupera a tradição das grandes viagens automobilísticas europeias, aproximando colecionadores internacionais, automóveis icônicos e instituições culturais em uma experiência que dialoga com tradição, design e herança. Participarão do percurso modelos produzidos entre as décadas de 1930 e 1970, provenientes de algumas das coleções privadas mais relevantes do mundo, conduzidos em uma modalidade em que precisão e estratégia superam a busca pelo menor tempo.
O retorno da iniciativa ocorre em um momento particularmente significativo para a Louis Vuitton. Nos últimos anos, a label ampliou sua presença no universo do esporte de alto desempenho, consolidando parcerias que vão do tênis ao futebol, passando pela NBA e pelos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Por sinal, desde então, tornou-se também parceira oficial da Fórmula 1, assinando os Trophy Trunks destinados aos 24 Grandes Prêmios da temporada e reforçando uma relação histórica com o imaginário automotivo.
Essa conexão, na verdade, antecede o próprio automobilismo moderno. Em 1897, Georges Vuitton desenvolveu o primeiro baú concebido especificamente para automóveis, substituindo os modelos de tampa abaulada por versões planas, capazes de serem empilhadas e acomodadas nos novos veículos da época. Anos depois surgiriam os Sacs Chauffeurs, bolsas desenhadas para ocupar o compartimento do estepe, antecipando um pensamento funcional que acompanharia a evolução da mobilidade ao longo do século 20.
A edição de 2026 pretende revisitar esse legado por meio de um itinerário de aproximadamente 600 quilômetros. A largada acontecerá na Villa Pisani, em Stra, às margens da Riviera del Brenta, região conhecida pelas residências aristocráticas construídas entre os séculos 17 e 18. O percurso seguirá pelas Dolomitas, cadeia montanhosa reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2009, antes de chegar a Monza, onde os participantes desfilarão no Autódromo Nazionale durante a abertura do Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1.
A iniciativa se apresenta como uma plataforma cultural. Entre as instituições envolvidas estão o MUVE Musei Civici di Venezia, a Villa Pisani, a Reggia di Monza e o Castello Sforzesco, em Milão, que receberá a cerimônia de premiação. A aproximação com museus e fundações revela uma estratégia cada vez mais evidente entre grandes maisons de luxo – associar experiências exclusivas à preservação cultural e à valorização de territórios emblemáticos.
Também faz parte desse momento o troféu criado especialmente para a ocasião pela designer holandesa Sabine Marcelis, produzido em collab com a manufatura italiana Venini, referência internacional em vidro artístico há mais de cem anos. A peça viajará acondicionada em um Trophy Trunk da Louis Vuitton, reforçando uma característica que a brand desenvolve há décadas para eventos esportivos de alcance global.
Criada originalmente em 1993, a Louis Vuitton Classic Run percorreu ao longo de sua trajetória destinos tão diversos quanto a Malásia, a Toscana, a China e a Europa Central. Em comum, todas as edições propunham uma reflexão sobre o ato de viajar como experiências cultural e sensorial. A retomada da iniciativa sinaliza uma tendência mais ampla, que observa o crescente interesse do mercado por vivências imersivas, capazes de conectar colecionismo e turismo. Agora é aguardar a bandeirada para sentir toda a emoção desse sucesso de volta ao circuito automobilístico.
Patrícia Favalle


