Por que os táxis têm cores diferentes? A história por trás dos amarelos de Nova York, dos vermelhos de Casablanca e dos pretinhos icônicos de Londres

Longe de ser apenas identidade visual, as cores dos táxis revelam história, legislação, cultura e a personalidade de cada cidade

Há cidades que podem ser reconhecidas antes mesmo de aparecerem no horizonte. Às vezes, basta avistar um táxi. O amarelo de Nova York, o preto de Londres, o vermelho de Casablanca, o bicolor na Índia ou o bege-ocre de Marrakech transformaram frotas de transporte em símbolos urbanos tão fortes quanto monumentos e cartões-postais.

A ideia de padronizar a cor dos táxis nasceu por uma razão prática: facilitar a identificação nas ruas. No início do século 20, quando o automóvel começava a substituir as carruagens, cada empresa pintava sua frota como queria. Havia carros vermelhos, verdes, azuis e até xadrezes. Foi em 1907 que o empresário John D. Hertz fundou, em Chicago, a Yellow Cab Company, e adotou o amarelo após estudos indicarem que essa era a cor mais visível à distância. Décadas depois, em 1969, Nova York tornou obrigatório que todos os táxis licenciados fossem amarelos, consolidando uma das imagens mais famosas do mundo.

Londres seguiu outro caminho. Os tradicionais black cabs nunca precisaram de uma lei que determinasse sua cor. O preto acabou se tornando predominante ao longo do tempo por questões práticas e econômicas, já que a pintura escura era mais fácil de manter e reparar. Hoje, o veículo é um ícone britânico, embora também seja possível encontrar exemplares em campanhas publicitárias ou com pinturas especiais.

Taxi on Regent’s Street

No Marrocos, a lógica é diferente – e talvez ainda mais interessante. Em vez de um padrão nacional, cada cidade impõe a sua própria cor para os chamados petits taxis, utilizados apenas dentro do perímetro metropolitano. A cor funciona como  assinatura e como um indicativo da área onde aquele veículo está autorizado a circular.

Em Casablanca, por exemplo, a frota é vermelha, um contraste marcante com a arquitetura branca que deu origem ao nome da cidade. Já Marrakech escolheu um tom bege-ocre, frequentemente associado às muralhas de terra batida que lhe renderam o apelido de “Cidade Ocre”. É uma tonalidade que muitos visitantes descrevem poeticamente como desert colour, por se integrar quase naturalmente à paisagem do entorno e das construções em adobe.

O Brasil também possui um de seus ícones sobre rodas. Os táxis amarelos do Rio de Janeiro surgiram como uma padronização para facilitar o reconhecimento pelos passageiros e acabaram se tornando parte do skyline carioca, especialmente diante das praias e do Pão de Açúcar. Já São Paulo preferiu não inventar moda e pincelou os veículos com a neutralidade do branco.

Curiosamente, nem todos os países possuem uma única identidade hegemônia. Hong Kong divide seus táxis por cores conforme a área de operação: vermelhos circulam nas ruas urbanas, verdes atendem os Novos Territórios e azuis operam na ilha de Lantau. Já Barcelona combina preto com portas amarelas, enquanto a Alemanha, durante décadas, exigiu que seus táxis fossem pintados em um discreto tom bege-claro, regra que foi flexibilizada nos últimos anos.

Mas, para quem está atento aos movimentos, as cores sempre contam histórias. São códigos que ajudam a organizar o trânsito, orientam moradores e turistas e, acima de tudo, auxiliam na construção da identidade das cidades. Afinal, em alguns lugares do mundo, basta enxergar um táxi para saber exatamente onde você está.

Patrícia Favalle

 

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