Em São Paulo, a cor preta segue predominante, enquanto no Rio de Janeiro a preferência dos motoristas ainda recai sobre a cor branca
Veículos nas cores branca (21,9%), preta (19,0%) e prata (16,3%) somam, juntos, mais da metade da frota de veículos nacional. Os dados são do Monitor de Tráfego nas Rodovias, levantamento realizado pela Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), com base em informações da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). O estudo mostra que a preferência por tons neutros segue dominante no País e se fortaleceu entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
A branca mantém a liderança isolada, com 28,9 milhões de veículos e crescimento de 5,1% no período — o equivalente a 1,4 milhão de unidades incorporadas à frota. A preta aparece na segunda posição, com 25 milhões de veículos (+4,6%), seguida pela prata, que soma 21,4 milhões de unidades (+2,5%).
Na sequência, a vermelha representa 15,4% da frota nacional, com 20,3 milhões de veículos e alta de 3,8% no ano. Já a cinza se destacou proporcionalmente entre as cores de maior volume, com expansão de 6,6%, alcançando 14,3 milhões de unidades e participação de 10,8%. A azul também apresentou desempenho relevante, com crescimento de 4,5% e mais de 10,1 milhões de veículos em circulação.
Mesmo com participação ainda reduzida (0,1%), a categoria fantasia — que inclui veículos com pintura personalizada, adesivagem ou envelopamento, como camuflado e acabamento fosco — registrou o maior avanço proporcional do período: alta de 7,2% em 2025, o que representa 11.277 unidades a mais na comparação anual.
Para André Turquetto, CEO da Veloe, o cenário reforça uma tendência consolidada no mercado automotivo brasileiro. “A predominância de cores neutras, tradicionalmente associadas à maior liquidez e valorização na revenda, continua moldando o perfil da frota nacional”, afirma.
Em São Paulo, a cor preta predomina. No recorte estadual, a cor preta lidera a frota em São Paulo, com 7,07 milhões de veículos e participação de 20% do total em circulação em dezembro de 2025. Além de manter a liderança, a cor avançou 3,1% em relação ao ano anterior, com acréscimo de mais de 213 mil unidades.
Na sequência aparecem a branca, com 6,93 milhões de veículos (19,6% da frota, +3,5%), e a prata, com 6,45 milhões (18,3%, +1,9%). Juntas, as três cores concentram quase 60% da frota paulista.
Entre os destaques de crescimento, a cinza registrou a maior alta percentual entre as cores de grande volume (+4,8%), com aumento de 210 mil veículos e participação de 13%. A azul também apresentou expansão relevante (+3,6%), superando 2,88 milhões de unidades. Já a categoria fantasia, apesar de representar apenas 0,1% da frota estadual, cresceu 5,2% no período. O cenário confirma a predominância das cores neutras em São Paulo, com avanço consistente e leve ganho de espaço para tons como cinza e azul.
No estado do Rio de Janeiro, a branca lidera a frota, com 1,7 milhão de veículos e participação de 20,7% do total em circulação em dezembro de 2025. Em um ano, a cor avançou 4,0%, com acréscimo de 65 mil unidades.
Em seguida aparecem a preta, com 1,56 milhão de veículos (18,9% da frota, +4,3%), e a prata, com 1,4 milhão de unidades, apesar de leve recuo proporcional (de 17,3% para 17,0%). Juntas, as três cores concentram mais da metade da frota fluminense.
Entre os destaques de crescimento, a cinza avançou 5,1%, superando 1 milhão de veículos e ampliando sua participação para 12,1%. A azul também apresentou alta relevante (+4,8%), chegando a 696 mil unidades. A categoria fantasia teve o maior crescimento proporcional no estado, com expansão de 16,3%, ainda que represente apenas 0,1% da frota. Assim como no cenário nacional e paulista, predominam no Rio as cores neutras, com crescimento gradual de tonalidades como cinza e azul.
Curiosidades sobre as cores na frota nacional
Com base nas características da frota nacional:
§ Preferência por cores discretas/neutras é um traço estrutural da frota brasileira de veículos: no agregado nacional, as cores branca (21,9%), preta (19,0%), prata (16,3%) e cinza (10,8%) somam 67,0% da frota em dezembro/2025 — isto é, mais de dois terços dos veículos em circulação. Esse resultado reforça a dominância das tonalidades neutras, mesmo com variações regionais de preferência.
§ Branca segue líder no país — e com leve ganho de espaço: a cor branca permanece na primeira posição, com 21,9% da frota em dez/2025 (ante 21,7% em dez/2024), sugerindo fortalecimento marginal do padrão mais “clássico” e associado à liquidez no mercado de revenda.
§ Preta mantém relevância elevada e consolidada: com 19,0% da frota nacional, a cor preta segue como o segundo maior bloco do país, sinalizando que fatores como estética, percepção de status e disponibilidade no portfólio das montadoras continuam exercendo peso na escolha do consumidor.
§ Prata e cinza avançam como “neutros metálicos”: no agregado nacional, a diferença entre prata (16,3%) e cinza (10,8%) ajuda a ilustrar a preferência por tonalidades neutras com acabamento mais “metálico”, muitas vezes associadas à praticidade no uso cotidiano (manutenção/estética) e à oferta típica em concessionárias.
§ Entre as cores vibrantes, o vermelho segue como a mais disseminada: a cor vermelha representa 15,4% da frota nacional em dez/2025, permanecendo bem à frente de outras cores vibrantes como azul (7,7%), verde (3,5%) e amarela (1,3%).
§ Azul ocupa um espaço relevante, mas bem menor que o vermelho: no agregado nacional, 7,7% da frota é azul em dez/2025 (ante 7,6% em dez/2024), sugerindo estabilidade com leve avanço — e indicando que essa cor se mantém como alternativa vibrante relativamente difundida, embora distante do patamar do vermelho.
E nas frotas estaduais?
Com base nas características das frotas por UF:
§ A “capital nacional do monocromático”: 73,6% da frota do Distrito Federal está concentrada em preto, branco, cinza e prata, um retrato da preferência por tons neutros. O ranking segue com Espírito Santo (71,2%), São Paulo (71,0%), Santa Catarina (70,8%) e Mato Grosso do Sul (70,7%).
§ Maranhão lidera a ala das “coloridas” : 39,5% da frota maranhense está em cores fora do grupo preto/branco/cinza/prata, mostrando um mix mais vibrante. Na sequência aparecem Piauí (39,1%), Ceará (39,0%), Acre (38,3%) e Amazonas (38,0%).
§ Cores “quentes” ganham força no Nordeste: somando amarelo, laranja e vermelho, o Maranhão lidera com 28,9% da frota nessas tonalidades, seguido por Piauí (26,4%), Acre (26,0%), Paraíba (25,6%) e Pará (25,3%).
§ Cores “frias”, Roraima sai na frente: no agregado azul, verde e roxa, Roraima abre vantagem com 13,2% da frota, à frente de Rio de Janeiro (12,9%), Rio Grande do Sul (12,8%), Amazonas (12,5%) e São Paulo (12,4%).
§ Azul tem cara de Norte: Roraima (8,9%) lidera a participação de veículos azuis, com Amazonas (8,8%) logo atrás. Depois vêm Rio de Janeiro (8,4%), Rio Grande do Sul (8,3%) e São Paulo (8,2%).
§ Vermelho predomina no mapa do Nordeste: o Maranhão (26,9%) é a UF mais vermelha do país. Na sequência aparecem Piauí (24,8%), Paraíba (24,1%), Acre (23,9%) e Ceará (23,7%).
§ Preto: liderança apertada: Maranhão (25,2%) e Piauí (25,1%) praticamente empatam no topo da participação de veículos pretos. Depois aparecem: Ceará (23,5%), Pará (23,3%) e Rondônia (22,8%).
§ Branco com sotaque do Eixo Sul-Sudeste: Espírito Santo (27,5%) lidera a frota branca, seguido de perto por Santa Catarina (27,4%) e Mato Grosso (27,0%). Completam o top 5 os estados: Rio Grande do Sul (25,2%) e Distrito Federal (25,0%).
§ Prata brilha mais no DF: o Distrito Federal (19,3%) é a UF com maior participação de veículos prata. Na sequência vêm Minas Gerais (18,9%), Mato Grosso do Sul (18,3%), São Paulo (18,3%) e Paraná (18,0%).
§ Cinza é “cor de metrópole”: o estado de São Paulo (13,0%) lidera a participação de veículos cinza em relação às demais, com Distrito Federal (12,9%) e Minas Gerais (12,8%) muito próximos. Depois aparecem Rio de Janeiro (12,1%) e Goiás (10,7%).
§ Verde: Rio de Janeiro (4,3%) aparece na frente, seguido por Rio Grande do Sul (4,2%), São Paulo (4,0%), Minas Gerais (3,8%) e Roraima (3,7%).
§ Amarelo tem vitrine no RJ — e empata com o Amapá: Rio de Janeiro (2,1%) lidera, ao lado de Amapá (2,1%). Em seguida, aparecem Espírito Santo (1,5%), Amazonas (1,5%) e Pará (1,4%).
§ Bege: um tom “clássico” mais forte no Sudeste/Sul: o Rio de Janeiro (2,4%) tem a maior participação de veículos bege, seguido por Rio Grande do Sul (2,3%), Minas Gerais (2,1%), São Paulo (2,1%) e Paraná (2,0%).
§ Dourado: discreto, mas com liderança fluminense: o Rio de Janeiro (0,46%) aparece no topo, seguido por Rio Grande do Sul (0,43%), Distrito Federal (0,38%), Paraná (0,35%) e Espírito Santo (0,31%).
§ Laranja: picos no Norte: Amapá (0,79%) e Pará (0,79%) dividem a liderança, seguidos por Acre (0,78%), Maranhão (0,73%) e Amazonas (0,70%).
§ Marrom: o Rio Grande do Sul (0,91%) lidera a presença de marrom, à frente de Rio de Janeiro (0,86%), São Paulo (0,82%), Paraná (0,69%) e Minas Gerais (0,68%).
§ Roxo: destaque no Norte/Nordeste: o Acre (0,81%) lidera, seguido por Piauí (0,75%), Maranhão (0,69%), Amapá (0,66%) e Pará (0,60%).
§ Rosa: Roraima no topo: Roraima (0,41%) é a UF com maior participação de veículos rosa; na sequência aparecem Maranhão (0,31%), Piauí (0,30%), Pará (0,26%) e Ceará (0,22%).
§ “Fantasia”: Minas puxa o nicho: mesmo residual, a categoria tem maior participação em Minas Gerais (0,22%), seguida por Bahia (0,20%), Sergipe (0,17%), São Paulo (0,14%) e Pernambuco (0,13%).
§ Grená: raridade com endereço no RJ: Rio de Janeiro (0,11%) lidera a presença de veículos grená, indicando concentração muito localizada dessa tonalidade. Na sequência aparecem os estados: São Paulo (0,05%), Paraná (0,04%), Minas Gerais (0,04%) e Rio Grande do Sul (0,04%).
Outras curiosidades sobre as cores nas frotas municipais
Considerando municípios brasileiros com frota mínima de 100 mil veículos:
- Arapiraca (AL) puxa o pelotão das “coloridas”: 42,5% da frota local está em cores fora do grupo preto, branco, cinza e prata. Logo atrás aparecem Sobral (CE) (40,8%), Juazeiro do Norte (CE) (39,9%), Parnaíba (PI) (39,4%) e Rio Grande (RS) (37,5%).
- Belo Horizonte (MG) é a “capital do monocromático”: 81,0% da frota local é composta por preto, branco, cinza ou prata. Na sequência, figuram Americana (SP) (78,1%), Vitória (ES) (78,0%), Valinhos (SP) (76,2%) e Balneário Camboriú (SC) (76,0%).
- Nova Friburgo (RJ) aparece como o município com maior diversidade de cores na frota (isto é, distribuição mais equilibrada entre várias tonalidades, e não só dominância de 2–3 cores).
- Cidades “quentes” (amarelo, laranja e vermelho): Arapiraca (AL) lidera também nesse agregado — 30,1% da frota em cores quentes, seguida de perto por Sobral (CE) (29,1%) e Juazeiro do Norte (CE) (28,1%).
- Em contraste, as cidades com frotas “frias” (azul, verde e roxo): Santos (SP) encabeça esse bloco — 14,7% da frota em cores frias, com Nova Friburgo (RJ) (14,5%) e São Vicente (SP) (14,4%) logo na sequência.
- Azul tem endereço no litoral paulista: Santos (SP) lidera a participação de veículos azuis, com 10,4% da frota. Depois vêm São Vicente (SP) (10,1%), Birigui (SP) (9,9%), Guarujá (SP) (9,6%) e Diadema (SP) (9,2%).
- Vermelho é marca registrada em Arapiraca: Arapiraca (AL) é a cidade mais vermelha do país, com 28,8% da frota nessa cor. Na sequência aparecem Sobral (CE) (27,9%), Juazeiro do Norte (CE) (26,0%), Imperatriz (MA) (25,1%) e Parnaíba (PI) (24,0%).
- Sobral (CE) também lidera no preto: 26,8% da frota local é de veículos pretos. Na sequência, figuram Parnaíba (PI) (26,0%), Caucaia (CE) (25,0%), Castanhal (PA) (25,0%) e Teresina (PI) (24,9%).
- Branco domina com folga em Linhares (ES): 31,7% da frota local é composta por veículos brancos. Depois aparecem Belo Horizonte (MG) (30,8%), Vitória (ES) (30,5%), Cuiabá (MT) (30,4%) e Chapecó (SC) (30,1%).
- Prata atinge seu pico em Americana (SP): 22,9% da frota local é de veículos dessa cor. Na sequência, figuram Santa Bárbara d’Oeste (SP) (22,6%), Ipatinga (MG) (22,5%), Divinópolis (MG) (22,2%) e Patos de Minas (MG) (21,1%).
- Cinza é “forte” em grandes centros: Belo Horizonte (MG) tem a maior participação de veículos cinza, com 15,3%. Em seguida vêm São Caetano do Sul (SP) (14,9%), Santana de Parnaíba (SP) (14,8%), Betim (MG) (14,6%) e Campinas (SP) (14,6%).
- Verde se destaca na serra fluminense: Nova Friburgo (RJ) lidera a participação de veículos verdes, com 5,2% da frota. Na sequência aparecem Ribeirão das Neves (MG) (4,9%), Betim (MG) (4,8%), Itaboraí (RJ) (4,8%) e Petrópolis (RJ) (4,7%).
- Amarelo aparece mais na capital fluminense: Rio de Janeiro (RJ) tem a maior participação de veículos amarelos, representando 3,2% da frota local. Depois figuram Bauru (SP) (2,6%), Cachoeiro de Itapemirim (ES) (2,4%), Macapá (AP) (2,3%) e Duque de Caxias (RJ) (2,0%).
- Bege é “território” de Nova Friburgo (RJ): 3,6% da frota local é de veículos bege. Na sequência vêm Petrópolis (RJ) (3,3%), Poços de Caldas (MG) (2,9%), São João de Meriti (RJ) (2,8%) e Itaboraí (RJ) (2,8%).
- A cor Dourada também tem liderança em Nova Friburgo (RJ): 0,58% da frota local é de veículos dourados. Na sequência, figuram Niterói (RJ) (0,57%), Volta Redonda (RJ) (0,56%), Ipatinga (MG) (0,56%) e Rio de Janeiro (RJ) (0,52%).
- Laranja tem liderança no Cariri: Juazeiro do Norte (CE) é a cidade mais laranja do país, com 1,3% da frota. Depois aparecem Santarém (PA) (1,0%), Marabá (PA) (0,84%), Santos (SP) (0,79%) e Rio Grande (RS) (0,78%).
- Marrom é mais frequente na serra do RJ: Nova Friburgo (RJ) lidera em marrom, com 1,2% da frota. Na sequência, figuram Juiz de Fora (MG) (1,1%), Poços de Caldas (MG) (1,1%), Petrópolis (RJ) (1,1%) e Niterói (RJ) (1,0%).
- Roxo é mais presente no Norte: Rio Branco (AC) tem a maior proporção de veículos roxos, com 0,85%. Na sequência, aparecem Teresina (PI) (0,71%), Juazeiro do Norte (CE) (0,70%), Macapá (AP) (0,67%) e Rio Grande (RS) (0,62%).
- Ainda que diminuta também, a cor Rosa se sobressai em Parnaíba (PI): 0,47% da frota local é composta por veículos nessa tonalidade. Na sequência, vêm Sobral (CE) (0,43%), Boa Vista (RR) (0,40%), Parauapebas (PA) (0,39%) e Itajaí (SC) (0,36%).
- “Fantasia” segue residual, mas tem um polo em MG: Santa Luzia (MG) lidera a participação da categoria fantasia, com 0,40% da frota. Na sequência aparecem Lauro de Freitas (BA) (0,38%), Ipatinga (MG) (0,38%), Feira de Santana (BA) (0,37%) e Belo Horizonte (MG) (0,34%).
- Grená é raridade — e se concentra no entorno do Rio: Itaboraí (RJ) registra a maior participação de veículos grená, com 0,13%. Na sequência, figuram Petrópolis (RJ) (0,13%), Rio de Janeiro (RJ) (0,12%), São João de Meriti (RJ) (0,12%) e Nova Friburgo (RJ) (0,12%).


