Crise dos semicondutores e a falta de carros novos

Especialista aponta espera de até dois anos por um modelo

Com a estima de serem o quarto produto mais comercializado no mundo, os semicondutores enfrentam uma crise global que afetou diretamente os mais diferentes setores da indústria, fenômeno que segue provocando um problema geral, pois diversas empresas precisaram alterar suas programações ou até paralisar as linhas de produção por conta da escassez da oferta dos componentes.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 12% dos fabricantes de diversos setores tiveram que parar parte da produção em julho de 2021 por falta de componentes eletrônicos. No setor automotivo, órgãos veem cada vez mais próximo o desabastecimento, ou seja, a falta de veículos para serem entregues.

Olavo Ehmke, sócio-diretor do grupo empresarial Autobunkers Defense, já detecta tal realidade. Ele lembra que semicondutores são componentes fundamentais para a fabricação de veículos, por isso, a crise segue afetando o setor com força a área automotiva. “Foi afetada por desabastecimento de toda a cadeia de fornecedores”, explica. “E uma das razões para o momento ruim está na paralisação de diversas fábricas em 2020”, complementa.

Olavo diz que, diante disso, o tempo médio de espera entre a compra de um carro zero quilômetro no Brasil e a entrega do modelo ao cliente está em três meses. “Mas há casos do comprador  aguarda por dois anos”, afirma.

Não é por acaso que o especialista vê a falta de carros novos como uma realidade presente. “Já estamos enfrentando neste momento”. Tanto que, segundo Olavo, não há nenhuma marca que esteja entregando veículos normalmente. “O que ocorre é a entrega lenta ou a de modelos com menos recursos e equipamentos”.

Outra consequência apontada por Olavo é a migração de clientes para os veículos seminovos, pois este segmento independe da oferta de componentes e atende ao público que não tem disponilbilidade para aguardar. “Está ocorrendo este fato e um consequente envelhecimento da frota nacional”.

Olavo acredita que a estabilidade do setor deve acontecer em cerca de um ano. “Porém depende, para tanto, de uma estabilidade em todos os fatores externos/internacionais”.

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